sábado, 7 de outubro de 2017

Letra e música - Cântico das criaturas

Lápis e papel repousam no abandono do cepo inerte e frio. À frente, teclas brilhantes e sorridentes flertam com as mãos indecisas, no crepúsculo da criação. Na mente, uma busca incessante por mais um motivo, um sentido. No silêncio, vagueiam os olhos em busca de um brilho na cortina do tempo, do compasso. É na explosão dos mundos que se ouvirá a grafita… Mãos indecisas esboçando os primeiros passos, engatinhando e balbuciando notas tímidas que nascem, se encadeiam umas às outras e se perdem em acordes, harmonia. Partem. Vão se entregar ao mundo, a toda sorte de provações.
Longe, em lugares onde o tempo também não para, um poeta busca, no silêncio do sonho, um sentido para as palavras. Letras e sílabas buscando o encontro, o amparo, a inclusão. Desejo de viver em harmonia. Juntas, partirão em busca de um grito que, atravessando o espaço, penetre nos ouvidos atentos e desejosos de receber a boa nova. São mensageiros que, de coração aberto, cantarão e louvarão a criação.
Em um mundo distante, desconhecido, onde somente os olhos fechados da mente vagueiam, um sorriso claro ilumina a noite com luzes, estrelando o céu da vida. Deu-se o parto do criador. A paciência cedeu seu lugar à persistência. Nasceu, vive e jamais morrerá. Eternidade. Foi composta a trilha da vida que vencerá o mundo.
Lápis e papel repousam no abandono do cepo inerte e frio. Sedentos esperam pela nova luz da criação. Exausto, recostado junto à janela com vista para o nada, o compositor flerta com o poeta, que flerta com o universo, que busca a ressuscitação naquele que canta a vida e lançará um grito de esperança e paz a todos os ouvidos que quiserem ouvir. Silêncio. Escutemos.

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