domingo, 15 de outubro de 2017

Meditação...

Há muito barulho no mundo. De olhos fechados, tento identificar, nesse instante, cada som do mundo (meu mundo). Ronco de avião, barulho de automóveis, gritos de crianças… Um cachorro late. Um infernal alarme me tira do transe e desvia minha atenção. Mas me lembra que estou em busca dos sons do mundo (meu mundo). Consigo isolar em meu ouvido todos esses sons…

Agora ouço o som de meu corpo, formando esse organismo vivo e preciso que depende de muita imprecisão para me manter acordado. A máquina é complexa e suas variantes são muitas. Meu coração bate, minhas veias pulsam, meu estômago se manifesta e meus dedos estalam. Ouço e percebo todo o mundo (meu mundo). Percorro com minha mente todos os caminhos de meu corpo e sinto um torpor invadindo cada órgão por onde passo. Me esqueço dos sons de meu corpo, dos sons do mundo. Somente uma onda de calor, com som de brisa suave, invade meus sentidos. O bem estar me envolvendo e energizando minha vida. Vivo uma breve eternidade e me religo ao Universo – Um em diversos…

Lentamente meus olhos se abrem, enquanto o torpor se esvai. Ouço o canto de um pássaro…

Canto que logo se afoga em ronco de motores, latido de cães, gritos de crianças e um carro com uma música no mais alto volume, com seu twitter agudo invadindo meus ouvidos, enquanto o “bate-estaca” faz meu peito e janelas vibrarem. Ligo o computador e vejo um enorme ruído de imagens, nas redes sociais. Lamentos, brincadeiras, discussões, indagações, provocações… Tudo somando e formando o “mover do mundo” numa esfera virtual.  Assustado com o desfile de imagens, penso: esse não é o mundo (meu mundo). Mas posso desliga-lo quando quiser. Aquele que visitei há pouco, é o mundo.

Me tranquilizo. Posso me retirar para ele quando eu quiser – precisar.  Sorrio e lembro: “Navegar é preciso. Viver não é preciso”.*

* Fernando Pessoa (General Pompeu?)