sábado, 23 de dezembro de 2017

Impressionismo

Uma lágrima quase imperceptível, timidamente abandonou seus olhos. Temendo ser responsabilizada  por sua tristeza, percorreu lentamente  a pele suave e bonita de um rosto misterioso. Parecia saborear cada poro, cada dobrinha em seu caminho. Pareceu-me querer parar quando passou por seus lábios. Mas fugiu…

Uma franja de cabelos escuros, vistosos e brilhantes, cobriu seus olhos, seu rosto. Assim permaneceu durante muito tempo... Despertou com um olhar negro, mirando pelas frestas dos fios longos, o meu olhar curioso. Mãos magras, com dedos longos, massagearam, sob a cortina dos cabelos, as pálpebras acizentadas por uma suave pintura. A beleza, protegida pelos que a compõem.

Por detrás de um copo de cerveja eu, cuidadosamente, a observava. Quem seria ela? Que pensamentos percorriam sua mente… Com o polegar e o indicador, toquei os cantos de meus lábios e desviei o olhar. Não queria perder a liberdade da observação incógnita. Baixando os olhos examinei o nada em meu celular enquanto criava coragem para, mais uma vez, olhar em sua direção. Erguendo-os lentamente, percebi que não estava mais ali. Como uma miragem, desaparecera. Angustiado, percebi que fora traído pelo desejo de vê-la sem ser visto.