sábado, 10 de março de 2018

Libertango - Numa noite em Buenos Aires

Da platéia eu observo as luzes, o mover das cortinas e o movimento dos técnicos e iluminadores. Um garçom desatento, porém simpático, me entrega o cardápio. Como sempre, peço cerveja… Nacional. Escurece o cenário, mas minha vista perspicaz percebe mulheres belíssimas, com pouca roupa e muita sensualidade, surgindo no palco.

Tango…

Como são belos e misteriosos os movimentos sensuais de delicadas dançarinas e os passos virtuosos, treinados nas pernas, no sentir e no olhar de seus pares. Meu Deus! Coreografias audaciosas desafiando meus sentidos, exibindo um virtuosismo distante, em um palco a dois metros de minha mesa… Meu Deus! Como são belos seus movimentos, seus corpos, sorrisos…

Noite adentro sem nenhum receio da madrugada. Vale um olhar, um sorriso disfarçado ou incompreendido. Desatento. E o mundo seguindo. E eu ficando... O coração batendo forte e uma lembrança de amores sonhados, conquistados e vividos: “El dia que mi quieras…”. E se essa noite se acabar? E se o sonho despertar? Mãos aquecidas e beijos molhados... A vida saberá lidar com isso.

Aplausos quentes… Pessoas se ausentando, sonhos se esfumando. Eu, olhando para o palco.

Dançarinos voltando à realidade do sonho da vida, no trajar natural do dia a dia. Eu lá, com as mãos aquecidas, beijos quentes, cervejas… E olhos negros me mostrando os caminhos. Eu, lá.

Era uma noite em Buenos Aires.




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