sábado, 28 de setembro de 2019

Eternidade...

Há alguns anos resolvi abandonar meus livros. Tinha em casa, aproximadamente 800 títulos que me davam muito trabalho e percebi que Alonso Quijano, Jean Valjean e o Príncipe Míchkin, aprovavam a decisão de buscar minha libertação e seguir com o que consegui armazenar em minha mente. Cheguei a conversar com Capitú e confidenciei também com Rosinha (minha canoa). Em uma madrugada, depois de irresponsável reflexão, embalei-os e os deixei seguir para outras mentes que buscassem o que encontrei neles. Não sei se atingiram seu objetivo... Entre eles, foi embora a coleção completa de Huberto Rohden, que sempre exerceu em mim, certa provocação e fascínio.

Recentemente, passando por uma livraria, resolvi comprar alguns que me acompanham na memória. Saudoso, pensava no verdadeiro sentido da eternidade transcrita nesses livros, passados para pessoas que não conheço. Na construção de tempos melhores. Rohden, me encarando nos olhos, com grande franqueza diz, talvez mencionando o Bhagavad  Gita:

“A falsa identificação de “eternidade” com duração sem fim se baseia no equívoco de que o Eterno seja a soma total dos tempos, e que o Infinito seja a soma total dos espaços – quando, na realidade, Eterno é a negação de qualquer parcela de tempo, e Infinito é a negação de toda e qualquer parcela de finito.”

Fechei o livro e pensei: espero que a nossa gentileza, amizade e respeito sejam realmente eternos. Que estejam fincados em nosso ser desde quando não existíamos e perdurem até quando não existirmos... Tenho que viver a eternidade do advento e partida de meus livros doados. Sabe-se lá para quem.

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