quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Acordos e desacordos

 Na beira do rio o homem pergunta ao pescador: - Está dando peixe? O silêncio permanece... O homem pergunta novamente. Silêncio absoluto... Retirando o anzol da água, o pescador, meio em transe, diz: - Você quer pescar? Então mantenha o silêncio. O barulho perturba a calmaria e provoca o caos. Traz a desordem. 

Liberdade: “Poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas” – Dicionário Aurélio.

 

A definição do termo em si, já traz algumas contradições e funciona como uma armadura de guerra que, mesmo protegendo, tolhe os movimentos. 

Nascemos livres e somos, naturalmente, formatados pelo sistema, por nossos pais e professores, para que tenhamos atitudes condizentes com o que a sociedade espera de nós mesmos. A ética provinda de nossa formação vai nos conduzir ao que é chamado de certo e errado.

Em nosso cotidiano, somos livres (?) desde que estejamos em dia com impostos, planos de saúde, aluguéis etc., etc.. Depois de tudo isso, vêem as questões sociais, às quais somos induzidos a pensar que são de nossa responsabilidade: diferenças de classe, fome, desemprego, saúde... A partir daí, podemos pensar em nós mesmos: gostos pessoais, escolhas, livre arbítrio (!!!)... Ilusão. 

Ditam-nos normas de conduta, regras e movimentam as informações. Criam modelos de beleza, de felicidade, de bem estar... Assim seguimos crentes no saber o que nos é importante ou nos dá importância. Liberdade...

 

Somente somos livres no pensamento e no sonho. A qualquer instante compro uma passagem no pensamento (primeira classe) e embarco no sonho para uma viagem que pode ser a qualquer parte do mundo, do coração ou da realidade. Cada um construindo sua programação para viajar e viver bem – ou mal. Me vem à mente, nesse instante, algo que escrevi há muitos anos atrás: 

 

“Quando penso na forma como me envolvi com a música, me volta à memória a minha infância, quando, aos sete anos de idade, adormeci para a realidade do dia a dia e despertei em um sonho de magia e de sons. De lá para cá, entre acordos e desacordos, às vezes, volto a essa “realidade” e, como não me encontro, novamente retorno ao sono profundo e encantador que é a música”.   

 

Na beira do rio o pescador pergunta ao homem: - Você quer pescar? O silêncio permanece... O pescador pergunta novamente. Silêncio absoluto... Retirando os olhos da água, o homem, meio em transe, diz: - Desculpe-me. Estava me olhando nesse espelho das águas. Diga-me: Está dando peixe? Quer que mantenha o silêncio? Eu sei que o barulho perturba a calmaria e provoca o caos. Traz a desordem. Aqui dentro, ouvindo a natureza eu sinto uma paz muito grande em minha alma e no coração.

 

 

 

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